CRÔNICAS DA CIDADE

POLÍTICO BEM SUCEDIDO. A QUE PREÇO?

Era uma vez um homem batalhador que, diferentemente dos irmãos, resolveu que um dia seria um grande político. Porque seu pai já o era. O pai daquele homem era prefeito de uma pequena cidade de uns três mil habitantes. 

O homem, ainda muito jovem resolveu que precisava se preparar e foi estudar em outro Estado para se qualificar melhor. E lá ele se formou, trabalhou, ganhou experiência, maturidade e achou que já estava na hora de voltar para seu Estado natal.

Agora com formação superior e outras habilidades adquiridas, o Homem começou sua carreira como assessor parlamentar, naturalmente a pedido de seu pai ao político da Capital e foi aprendendo as "manhas" e meandros da arte política e logo resolveu que seria o momento de tentar voos mais audaciosos, reuniu a família, parentes e alguns amigos de uma parte, digamos, "mais pobre da cidade", onde o mesmo morava e anunciou sua candidatura a uma vaga na Câmara de Vereadores e o povo, carente de um representante para aquele setor esquecido da cidade, arregaçou as mangas e com muita luta e determinação elegeu o Homem vereador da Capital.

O Homem, que fora eleito com a maior votação até então na cidade, assumiu seu lugar no Legislativo Municipal, com pompas de político brigador e lutador pelas causas populares, o que o levou à liderança da bancada governista naquela Casa e sua atuação se resumiu a uma única medida importante. Para ele foi uma cartada de mestre: "defendeu o aumento da passagem dos ônibus coletivos", bandeira da prefeitura municipal, juntamente com alguns empresários (pra não dizer um empresário) do setor de ônibus públicos da cidade.

Depois  dessa medida a favor de interesses espúrios do "esquema", em detrimento de toda uma população, o Grande Vereador foi premiado com um cargo de secretário municipal, o que não demorou muito, pois, o povo ainda inebriado com seu poder de convencimento, achando que ele estava certo em apoiar aquelas medidas, o lançou a candidato a uma vaga no Legislativo Estadual, o que também ele conseguiu, mostrando que tinha "jeito pra coisa" e que estava iniciando sua meteórica carreira de sucesso dentro da política, naquele pequeno e pobre Estado, onde os políticos do momento estavam caindo pelas tabelas em suas anacrônicas formas de "fazer política".

O Homem agora era deputado estadual e na Casa de Leis iniciou seu "trabalho", passou quatro anos doando cestas básicas de alimentos, óculos, "quebrando multas" (ambientais, de trânsito e outras do gênero), dando assistência médica (pequenas consultas e outros procedimentos) e como não poderia ser diferente começou a melhorar de vida, aumentou seu padrão, carregando junto toda a família que, aqui pra nós, achou muito conveniente, pois ninguém realmente trabalhava e passaram a se beneficiar do cargo do parente político, que os colocou debaixo das asas e os sustentou a partir dali.

Uma das primeiras medidas que o Homem precisava tomar, para que realmente tivesse o status de um "político de sucesso", foi se mudar para uma quadra melhor, longe da região que o elegeu, para uma casa cinco vezes melhor e mais cara do que aquela casinha no setor pobre da cidade e sabendo, que não dependia mais daqueles moradores para se eleger em outros futuros pleitos eleitorais, pois já estava conseguindo outros redutos, se afastou de vez de seus antigos parceiros e se aliou a uma nova "elite", mas chegou nova eleição e ele, craque na arte de ludibriar, enganou novamente aquele povo que, juntamente com outros desavisados, o reelegeu deputado.   

E o Homem continuou seu reinado eleitoral, mas uma coisa o incomodava, por que só na pequena cidade que seu pai um dia foi prefeito (e ele também, esqueci de mencionar), não conseguia ter votação expressiva? Bom, alguns entendidos e conhecedores das administrações de pai e filho naquela cidade sabiam a resposta. Os períodos que a família esteve à frente daquela pequena e modesta prefeitura foi inesquecível. O povo não esqueceu as gestões fraudulentas e que só beneficiavam a família dos prefeitos, causando imensos problemas sociais para aquela população.

Ainda como parlamentar, agora em seu segundo mandato, o Homem conseguiu, depois de muitos conchavos e manobras escusas, chegar à presidência da Assembleia Legislativa. Inclusive e finalmente com votação expressiva na sua cidade natal (comprou todo mundo!). E as coisas ficaram melhores para que ele, profissional que era, montar um esquema para se valer das facilidades que as Casas Legislativas de todo o País oferecem, para que quem está num cargo deste ganhe muito dinheiro. E uma das primeiras providências foi convocar novos assessores, mais espertos e atenados com os novos objetivos, pois os "antigos assessores" não tinham esperteza suficiente para atender a sua “maneira nova de trabalhar” ou não concordavam com essas atitudes, ou seja, montou uma quadrilha dentro da Assembleia Legislativa, começando pelas diretorias e finalizando nos conchavos com alguns outros colegas deputados, que teriam que ser coniventes com o esquema. E o Homem gosta tanto do Estado que o elegeu que seus investimentos são todos em outros Estados (apartamentos, fazendas, estudo dos filhos, entre outras aquisições, que aumentaram seu patrimônio de uma casinha de R$ 50.000,00, para mais de três milhões de reais).

O Homem, agora com a faca e queijo na mão, estava com muita gente "sobre controle", tinha o poder absoluto, todas as cartas de valor na manga, inclusive (agora vou citar outra personagem) montara um “gabinete da Primeira- Dama” para sua esposa que muita esperta maquiavélica, falsa, mentirosa e cheia de veneno, convocou uma galerinha parecida com ela e aumentou mais ainda as facilidades do maridão, realizando eventos, inclusive dando uma de “carola” (parecia freira. Na saia da igreja) e a fama de “boa-cristã” lhe moldavam ainda mais o caráter de boazinha. Só para ilustrar, um de seus eventos sociais mais importantes foi uma festa de natal para os pobres, ocasião que reuniu alguns amigos para arrecadar alimentos de qualidade duvidosa e brinquedos da feira do Paraguai e distribuir em uma grande festa em frente à Assembleia, fazendo com que os coitados dos pobres da periferia viessem para o centro da cidade, e ficassem a tarde e a noite esperando para receber uma cesta básica e um brinquedo, para em seguida voltarem para a periferia em ônibus lotados, velhos e desconfortáveis, isso quem podia pagar, pois a maioria ia mesmo era a pé, percorrendo grandes distâncias e a benevolente “primeira-dama”, depois da “missão cumprida”, reuniu as amigas, amigos, assessores e parentes e foram comemorar em sua bela casa, ao lado da piscina, numa orgia regada a uísque caro, cerveja e muita comida (pagos com a verba “social” da Assembleia).

E assim, não me atrevo a chamar o povo de besta-fera, prefiro acreditar que os mesmos, que agora sofrem com a falta de educação, saneamento básico, emprego, saúde, lazer, transporte, segurança e outros itens primordiais para que possamos dizer que o nosso País é uma “nação em desenvolvimento”, não agiram em sã consciência, mas estavam sobre o efeito nefasto de mentes maquiavélicas, que em suas infinitas maldades, conseguiram e ainda conseguem impor suas vontades e desejos inescrupulosos, enganando e iludindo a população com promessas de uma vida melhor para todos, não se importando com os meios usados para isso, mas apenas com o sucesso em suas investidas para garfarem o bolo do erário nacional.


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